Naquele dia calcei as botas e peguei no chapéu impermeável porque com aquela ventania manter o guarda-chuva aberto foi impossivel. Sai á pressa, casaco, chaves, livros.. com tanta coisa, esqueci o telemóvel em cima da cómoda e remoi-me toda a manhã por causa desse esquecimento. É incrivel como um objecto consegue ter tamanha importancia.
A manhã foi passando e com ela desapareceu também a ultima réstia de sol que ainda dava um certo brilhozinho ao dia cinzento. Agora sim, parecia inverno! Céu carregado de nuvens negras e vento frio e cortante. As folhas nos passeios rodopiavam-me em danças á volta dos pés e os cabelos voavam deixando o rosto exposto ao ar frio.
Ao andar pela rua, nesta manhã, mesmo rodeada de gente senti-me sozinha. Não podia estar mais só, nem mais rodeada de gente. Já vos aconteceu? Sentirem-se sozinhos no meio de uma "multidão"?
O ser humano deve ser mesmo assim, inexplicavelmente complexo, consegue sentir coisas que mais nenhum ser consegue e naquele dia eu fui um autêntico ser humano. Só no meio de um mar de gente. É por isto que guardo sempre os "Meus" comigo, no coração, porque quando me sinto sozinha, mesmo ausentes eles conseguem estar presentes.
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